íntimo, o silêncio cortinava o quarto com todo mal que o passado havia lhe causado, resgatando todas as imagens atrozes. as más lembranças polidas agora vinham à tona com um peso sem igual, pressionando-lhe as têmporas numa tentativa insólita de regressar ao lugar de onde nunca deveriam ter saído. e o silêncio, antes tão desejado, agora o enraivecia; pior, era como se ele nunca mais fosse se extinguir. precipitou um desejo avassalador de gritar, posto de lado instantaneamente. seria pueril demais confrontar o silêncio aos gritos. mas não sabia o que fazer. o silêncio formigava todo o corpo. não queria acordar os hóspedes e quiçá toda a cidade com seus espasmos. isto posto, deveria suportar toda a dor que o silêncio lhe provocava, além do sentimento de culpa que as lembranças traziam à tona se quisesse avançar em seu propósito. e aí nosso personagem tomou uma atitude surpreendente – havia anos Praga não sofria um inverno tão rigoroso como fazia esta noite. com igual elegante frieza, nosso personagem livrou-se de toda roupa que vestia. já não precisava mais dela, não havia mais motivos para se disfarçar.

fora descoberto.

continua…