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como malabares
o amor
foi pros ares.
Praga tem o hábito de colecionar sonhos e pendurá-los nas janelas, como roupas sujas. certo é que existe em Praga uma cultura da simulação visual. o personagem da noite dificilmente escapa do embate; a vista deforma de tal modo que não se consegue enxergar os elementos noturnos. toda noite a cidade é acometida por uma profusão de sons. tais como os balidos que agora invadiam o quarto. eram balidos demasiados altos, ensurdecedores, duma promiscuidade capaz de preencher todos os espaços do quarto. ora a impressão é que eles vinham da rua ou dos outros quartos da estalagem – na verdade, pouco se sabe sobre o que acontece do lado de fora; ora a sensação era de que os sons estavam dentro do minúsculo armário, aos golpes, num frenesi digno de uma amistosidade guerreira. não obstante, nosso personagem mantinha-se incólume; decidido a vencer seu destino. pegou um pedaço de papel surrado e escreveu as seguintes palavras:
“ os olhos devem estar sempre abertos para as surpresas.”
nisso, coincidentemente, ao ler o que acabara de escrever, os balidos subitamente cessaram.
o quarto agora causava a impressão do silêncio das praias sem fim.
continua…
folhas caem
no sono
o outono também
quer sonhar.
“duas folhas na sandália
o outono
também quer andar”
leminski
nuvem
e vai
voa o céu
só o amor
justi
fica
o véu.

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